sábado, 20 de junho de 2009

Nº36: António Luís Alves Ribeiro Oliveira


  • António Luís Alves Ribeiro Oliveira.
  • Médio Centro/Nº10.
  • Nasceu a 10 de Junho de 1952 em Penafiel.
  • Títulos no Sporting: 1 Campeonato Nacional (1981/82), 1 Taça de Portugal (1981/82) e 1 Supertaça (1982/83).
  • 24 Internacionalizações com 7 golos marcados.

O Oliveira foi um grande jogador que passou pelo Sporting no início dos anos 80, um dos melhores nº 10 do futebol português que juntou a sua magia a uma grande quantidade de golos de leão ao peito.
Estratega rápido, goleador e de passe fácil, Oliveira deixou saudades entre sportinguistas, portistas e penafidelenses, ao ponto de Pedroto o ter classificado como um dos melhores jogadores de todos os tempos. Hoje em dia, depois de ter saído da presidência do Penafiel estuda Direito no Porto.




Começou a sua carreira no FC Porto, ao entrar para as camadas jovens. Com apenas 17 anos começou a treinar com a equipa principal e faria o primeiro jogo no final da época 1970/71.
Na época seguinte, faria 15 jogos de dragão ao peito, conquistando a confiança plena na época que se seguiu, a de 1972/73 ao jogar em 21 jogos e marcar 3 golos. Em 1973/74, marcou 2 golos em 23 jogos e chegou à selecção nacional. Isso fez com que em 1974/75, explodisse definitivamente ao concretizar 12 golos em 23 jogos, número apesar de tudo impressionante. Em 1975/76, marcou 7 golos em 18 jogos, continuando sem ganhar títulos.
Seria na época seguinte que apareceria o primeiro título de Oliveira, a Taça de Portugal ganha ao Sporting Braga por 1-0 com golo de Gomes. Nesse dia, o FC Porto de José Maria Pedroto, um dos melhores treinadores de sempre do futebol português, alinhou com: Joaquim Torres; Gabriel, Simões, Freitas e Alfredo Murça; Octávio Machado, Taí, Rodolfo, Oliveira e Duda; Gomes. No decorrer do jogo ainda entrou Seninho. No Campeonato, 3º lugar e Oliveira realizou 28 jogos, marcando 11 golos.




Finalmente, na época seguinte, o FC Porto ganharia o Campeonato após um jejum de 19 anos. José Maria Pedroto entregou a manobra da equipa a um Oliveira em grande forma que marcou 19 golos em 30 jogos e venceu o prémio de jogador do ano. Em 1978/79, novo título, com Oliveira a marcar 16 golos em 28 jogos.
Na época seguinte, foi contratado pelo Bétis, onde não foi feliz ao marcar 1 golo em apenas 10 jogos, pelo que em Janeiro voltou ao Porto para marcar 1 golo em 12 jogos.




Em 1980, no meio de disputas entre Pinto da Costa e Américo de Sá, então presidente do Porto, aquele e Pedroto abandonam a equipa para onde eventualmente voltam. Quanto a Oliveira, vai para a sua terra natal onde se torna jogador-treinador do Penafiel, alcançando 10 golos em 22 jogos, guiando a equipa ao 10º lugar no Campeonato. É em 1981, que marca o primeiro golo pela selecção no empate 1-1 com a Bulgária. Todos os restantes golos pela selecção seriam alcançados ao serviço já do Sporting.
Na época de 1981/82, uma das mais vitoriosas de sempre do Sporting, com a dobradinha, chega Oliveira para formar um tridente atacante de luxo com Jordão e Manuel Fernandes. Chegou inclusive a ser considerado jogador do ano e marcou um total de 22 golos em 34 jogos de todas as competições. Fez a sua estreia na 1ª jornada do Campeonato, em Alvalade, frente ao Belenenses. O Sporting orientado por Malcolm Allison, apesar do empate a 2 golos, fez uma excelente exibição, aliás apanágio para o resto da época. Nesse dia, o Sporting alinhou com: Meszaros; Carlos Xavier, Eurico, Zezinho e Inácio; Ademar, Oliveira e Virgílio; Manuel Fernandes, Jordão e Carlos Freire. Os golos seriam marcados por Jordão aos 42m e 87m, que seria, aliás, o melhor marcador do Sporting nessa época.
Foi também a época em que o Sporting se tornou a primeira equipa portuguesa a vencer um jogo em Inglaterra. Foi em Southampton, por 4-2 com golos de Jordão aos 2m, Manuel Fernandes aos 42m e 88m e auto-golo de Holmes aos 21m. A propósito desse jogo, Malcolm Allison conta uma história curiosa. Antes do jogo ter início disse a Oliveira que iria começar o jogo a defesa direito, porque o lado esquerdo dos ingleses era fraco e podia fazer uso da técnica para romper e conseguir um golo cedo. Oliveira, ficou insatisfeito, mas cumpriu a ordem e logo aos 2m, arrancou pela direita, passou pelo lado esquerdo inglês e assistiu Jordão para o golo. Virou-se para o banco e gritou “tinha razão, mister”. Allison limitou-se a sorrir e a mandá-lo de volta para a sua posição original. Ainda nesse jogo, o treinador do Southampton disse: “Como Oliveira não há em Inglaterra! É um fabuloso jogador!”Na final da Taça, marcaria 2 golos na vitória por 4-0 sobre o Braga.




Na época seguinte, após um conturbado estágio na Bulgária que acabaria com o despedimento de Allison, Oliveira foi promovido a jogador-treinador, vencendo a Supertaça.
Nessa época, voltou a vencer o prémio de jogador do ano e num total de 31 jogos, marcou 15 golos. Não se podia passar por esta época sem contar o conto de fadas de Oliveira.
No dia 29 de Setembro de 1982, o Sporting jogava a 2ª Mão da Taça dos Campeões Europeus frente ao Dínamo Zagreb, sendo que tinha perdido 1-0 na 1ª Mão. Aos 30m, Oliveira abre o livro. Num espaço muito reduzido, faz uma finta, um rodopio, mudança de pé, remate e golo, para seis minutos depois fazer o segundo golo. Aos 65m, simula um cruzamento e leva a bola a entrar junto ao ângulo, fazendo com que o Estádio de Alvalade quase viesse abaixo. Aos 89m, substituiu-se ouvindo ovação de pé. No final, recebeu a notícia que o seu pai estava à beira da morte, o que veio a ocorrer 15 dias depois, ao contrário do que dizem, ou seja, que o pai de Oliveira faleceu durante o jogo.




Na época seguinte já não era o mesmo. Apenas 3 golos num total de 18 jogos em todas as competições. Esses golos foram na Taça UEFA frente ao Sevilha e no Campeonato frente ao Salgueiros e Farense.
Em 1984/85, a sua última época no Sporting, sofreu uma lesão nos pés que o impediu de estar ao seu nível, disputando um total de 10 jogos em todas as competições com apenas 3 golos marcados. Esses golos foram todos no Campeonato, frente ao Braga na vitória por 8-1, onde marcou 2 golos e frente ao Rio Ave. O seu último jogo pelo Sporting foi a 30 de Dezembro de 1984, frente ao Vitória Setúbal, que o Sporting ganhou por 4-0 com golos de Litos aos 42m, Jordão aos 56m, Eldon aos 80m e António Sousa aos 88m. Oliveira sairia lesionado logo aos 15m, sendo que o Sporting orientado por John Toshack, alinhou da seguinte maneira: Kátzirz; Morato, Gabriel e Carlos Xavier; Oceano, Litos (Kostov, 62m), António Sousa, Oliveira (Eldon, 15m) e Mário Jorge; Manuel Fernandes e Jordão.
Em 1985/86, fez a última época da carreira ao serviço do Marítimo jogando apenas em 7 jogos, todos como suplente utilizado, no 12º lugar da equipa madeirense no Campeonato. António Oliveira, prosseguiu depois carreira de treinador que será relembrada aquando do post sobre o Oliveira treinador. Foi presidente do Penafiel e agora estuda Direito no Porto. É irmão de Joaquim Oliveira da Olivedesportos.




Carreira

1970/71: FC Porto

1971/72: FC Porto

1972/73: FC Porto

1973/74: FC Porto

1974/75: FC Porto

1975/76: FC Porto

1976/77: FC Porto

1977/78: FC Porto

1978/79: FC Porto

1979/80: Bétis
FC Porto

1980/81: Penafiel

1981/82: Sporting

1982/83: Sporting

1983/84: Sporting

1984/85: Sporting

1985/86: Marítimo

Carreira no Sporting*

1981/82: 24;12 / 4;6 / 4;6

1982/83: 22;10 / 3;2 / 6;3

1983/84: 12;2 / 2;- / 4;1

1984/85: 9;3 / 1;- / -;-

*Época: Campeonato (J; G)/ Taça (J;G)/ Europa (J;G)

Avaliação: Craque

2 comentários:

sloct disse...

Este não foi craque, foi super craque.

Uma das melhores exibições que alguma vez vi um jogador fazer, foi feita por este senhor, no dia em que o seu Pai morreu, quando ele fez um hat-trick ao Dínamo Zagreb. Inesquecível.

Bruno V. disse...

Não o vi jogar, mas obviamente que como jogador foi um grande craque.