quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Nº14: Nuno Jorge Pereira da Silva Valente


  • Nuno Jorge Pereira da Silva Valente.
  • Defesa Esquerdo.
  • Nasceu a 12 de Setembro de 1974 em Lisboa.
  • Títulos no Sporting: 1 Taça de Portugal (1994/95) e 1 Supertaça de Portugal (1995/96).
  • 33 Internacionalizações com 1 golo marcado.

Chegamos a um jogador que apesar de não ser um fora de série, é até bastante bom e podia ter sido uma séria alternativa a Rui Jorge no lado esquerdo da defesa do Sporting em meados e finais dos anos 90. Contudo, como muitas vezes acontece, prefere-se mandar embora os portugueses jovens para trazer estrangeiros de valor duvidoso e, deste modo, tivemos que agonizar na lateral esquerda sem uma alternativa decente a Rui Jorge e ver o Nuno Valente a seguir uma carreira de sucesso ao lado de pessoas com visão. Depois deste pequeno desabafo, dizer que este jogador esteve 4 épocas no Sporting sem se conseguir afirmar, não só por sua culpa, mas como tenho que avaliar o percurso feito em Alvalade, atendendo ao que fez, tenho que considerá-lo um flop.

Nascido em Lisboa, começou a sua carreira profissional no futebol no Portimonense, emprestado pelo Sporting clube em que se formou, onde se estreou com apenas 19 anos, na época de 1993/94, realizando 26 jogos e marcando 1 golo, o que lhe valeu o regresso a Alvalade.
Foi na época de 1994/95, que Carlos Queiroz o quis de volta para disputar o lugar com Paulo Torres, mas nenhum dos 2 teve muito tempo de jogo, pois Queiroz preferiu adaptar Vujacic à esquerda. Valente ainda fez 9 jogos no Campeonato e 2 na Taça de Portugal o que lhe valeu o primeiro título pelo seu clube: a Taça de Portugal. A sua estreia foi logo como titular e a extremo esquerdo, no dia 21 de Janeiro de 1995, no empate caseiro frente ao Farense, saindo aos 45m para entrar Capucho o autor do golo (1-1). Na 21ª jornada, a 19 de Fevereiro, fez o seu segundo jogo pelo Sporting, o segundo a titular, mas o primeiro na posição de defesa esquerdo. Foi na vitória fora do Sporting sobre o Marítimo por 2-0 com golos de Naybet aos 36m e de Amunike aos 74m. A equipa que jogou nesse dia foi a seguinte: Costinha; Nelson Alves, Naybet, Marco Aurélio e Nuno Valente; Figo, Oceano, Peixe, Balakov e Amunike; Capucho (Chiquinho Conde, 88m). Até ao final da época e nos jogos em que fez, só 2 não foram como titular.

Plantel 1997/98, com Nuno Valente a figurar na fila de cima, 3º a contar da esquerda.


Na época de 1995/96, saiu Paulo Torres, mas nem assim Nuno Valente jogou mais do que na época anterior. Fez 9 jogos no Campeonato, 2 na Taça e 2 na Europa, na Taça das Taças, onde se estreou. Foi a 14 de Setembro de 1995, em Alvalade, frente ao Maccabi Haifa, na vitória por 4-0, com golos de Pedro Barbosa aos 7m, 10m e 47m e de Sá Pinto aos 88m. Nesse dia, o Sporting alinhou com: Costinha; Nelson Alves, Naybet, Marco Aurélio e Nuno Valente; Sá Pinto, Oceano, Pedro Martins (Vidigal, 85m) e Pedro Barbosa (Paulo Alves, 75m); Amunike e Ouattara (Dominguez, 63m). Apesar de não ter alinhado em nenhum dos 3 jogos, contabilizou como título a Supertaça desse ano, já com Octávio Machado ao leme da equipa.
Em 1996/97, foi emprestado por Robert Waseige ao Marítimo para dar lugar ao péssimo Balajic. Na Madeira, realizou 30 jogos a bom nível o que fez com que Octávio Machado pedisse o seu regresso, para a atribulada época de 1997/98.
Nessa época, raros foram os lugares fixos na equipa orientada sucessivamente por Octávio Machado, Francisco Vital, Vicente Cantatore e Carlos Manuel. O lado esquerdo da defesa foi um desses exemplos ao ver por lá passar Nuno Valente, Vinicius, Quim Berto e até Vidigal. Nuno fez apenas 6 jogos no Campeonato e 1 na Taça de Portugal.

Na época seguinte, entrava no Sporting o treinador croata Mirko Jozic com um projecto muito bom: apostar na juventude e nas boas exibições, o que foi bem sucedido. Para mim, foi a época em que vi o Sporting fazer as melhores exibições de sempre. As péssimas e incríveis arbitragens e alguma ingenuidade de um plantel jovem fizeram a equipa ficar num 4º lugar que não merecia, lançando as bases para a época seguinte em que se quebrou o jejum.
Para terem uma ideia da aposta na juventude de Jozic vou dar um exemplo de um jogo na Taça UEFA. Depois de ter perdido por 2-0 em casa frente ao Bolonha, Jozic foi descomplexado a Itália e apostou num onze com uma média de 21,6 anos, com apenas 2 jogadores com mais de 23 anos! O Sporting pode ter perdido 2-1, mas fez uma excelente exibição, esteve a ganhar e no final sofreu 2 golos, já reduzido a 10, em contra-ataque. Para a história fica o onze desse dia 29 de Setembro de 1998: Tiago; Patacas, Beto, Quiroga e Vinicius; Saber, Bino, Delfim, Duscher e Simão; Leandro. No banco, também muitos jovens: Nelson, Iordanov, Renato, Kmet, Ramírez, Caneira e Nuno Valente. De resto, Nuno Valente fez 12 jogos no Campeonato, marcando o seu único golo de leão ao peito. Foi na 9ª jornada, a 30 de Outubro de 1998, na vitória em Alvalade frente ao Marítimo por 2-0, aos 53m, sendo seguido por Iordanov que marcou aos 56m.
Na época seguinte foi dispensado rumo à União de Leiria onde teve um enorme sucesso, como demonstram os 87 jogos disputados e 2 golos marcados em 3 épocas, ajudando a equipa a conquistar o 10º lugar em 2000, o 5º em 2001 e o 7º em 2002. Nessa última época foi treinado por José Mourinho que a meio saiu para o FC Porto. Em 2002/03, Nuno Valente transfere-se para o FC Porto a pedido de Mourinho e com ele colecciona enormes sucessos, 2 Campeonatos, 1 Taça de Portugal, 1 Supertaça, 1 Taça UEFA e 1 Liga dos Campeões. O ano de 2002 foi também o ano em que Nuno se estreou pela selecção, sob o comando de Agostinho Oliveira no particular frente à Inglaterra (1-1). O seu único golo pela selecção foi a 31 de Março de 2004, na derrota caseira por 2-1 frente à Itália, num jogo de preparação para o Euro 2004.

Em 2004, esteve presente no Europeu que Portugal perdeu na final frente à Grécia (0-1), jogando 5 dos 6 jogos. No início da nova época, Mourinho rumou ao Chelsea e Nuno Valente teve sucessivas lesões que o levaram a jogar pouco, o mesmo acontecendo no início da seguinte, recebendo um ultimato de Pinto da Costa: ou o Porto ou a selecção. Nuno escolheu a selecção e foi vendido no mercado de 2005 ao Everton, por indicação de Mourinho. Para a história ficam os mais de 80 jogos com a camisola do Porto.
Em 2005/06, realizou 26 jogos pelo Everton, sendo convocado por Luiz Felipe Scolari para o Mundial 2006, no qual Portugal ficou em 4º lugar. Dos 7 jogos disputados, Valente só não jogou no último da fase de grupos. Na época seguinte, alinhou apenas em 17 jogos pelo Everton, numa época em que esteve bastante tempo lesionado, deixando de ser chamado à selecção. Na última época jogou apenas em 15 jogos, sendo que esta época, depois de saber que estava na pré-convocatória de Carlos Queiroz para a selecção nacional, renunciou à mesma, após 33 jogos e 1 golo. Até agora, leva 2 jogos pelo Everton.

Carreira

1993/94: Portimonense

1994/95: Sporting

1995/96: Sporting

1996/97: Marítimo

1997/98: Sporting

1998/99: Sporting

1999/00: U. Leiria

2000/01: U. Leiria

2001/02: U. Leiria

2002/03: FC Porto

2003/04: FC Porto

2004/05: FC Porto

2005/06: Everton

2006/07: Everton

2007/08: Everton

2008/09: Everton

Carreira no Sporting*

1994/95: 9 - / 2 - / - -

1995/96: 9 - / 2 - / 2 -

1997/98: 6 - / 1 - / - -

1998/99: 12 1 / - - / - -

*Época: Campeonato (J; G)/ Taça (J;G)/ Europa (J;G)


Avaliação: Flop

4 comentários:

AsKaViR disse...

Impressionante como ninguém no clube teve capacidade para notar que o Nuno Valente tinha talento para ser um dia titular na selecção... Grande argolada que se deu na altura ao dispensá-lo... E logo numa posição onde é sempre complicado arranjar jogadores acima da média. Não que Nuno Valente alguma vez tivesse sido um jogador extraordinário, mas para consumo interno era bem acima da média.

Anónimo disse...

No Sporting era muito fraco. Meu rico Paulo Torres na altura.

Bruno V. disse...

Nunca teve oportunidades para singrar no Sporting. Aqui, foi um flop.

OF disse...

O Nuno Valente nunca teve grande oportunidades no SCP, mas lembro-me de um jogo em que ele ganhou (de forma limpa) todos os lances ao Artur.

O Manuel José até referiu que era impossível que o árbitro não tenha marcadao qualquer penálti, mas a critícia deu razão ao árbitro